Síndromes Hipertensivas na Gestação

Síndromes Hipertensivas na Gestação

Hipertensivas na GestaçãoA hipertensão arterial (“pressão alta”) é uma doença extremamente importante na atualidade, por ser um problema de saúde pública e de elevada prevalência na população. Consideramos uma pessoa hipertensa quando os níveis de pressão arterial sistólica (“máxima”) estão maiores ou iguais a 140 mmHg e/ou quando a pressão diastólica (“mínima”) é maior ou igual a 90 mmHg, sendo que as medições devem ser feitas no mínimo duas vezes e ao menos com quatro horas de intervalo entre elas. Estima-se que até 2% das mulheres de 18 a 29 anos possuam a condição, aumentando a proporção para até 22,3%, nas idades de 30 a 39 anos. No Brasil, a hipertensão na gestação é a principal causa de morte materna, evidenciando a importância de seu entendimento, assim como a necessidade de otimizar o diagnóstico e realizar um tratamento adequado.

As síndromes hipertensivas da gravidez podem ser classificadas em quatro categorias:

  • Pré-eclâmpsia ou eclâmpsia
  • Hipertensão crônica
  • Pré-eclâmpsia ou eclâmpsia com hipertensão crônica
  • Hipertensão gestacional

Vamos agora abordar cada uma das condições citadas.

Pré-eclâmpsia: é caracterizada por hipertensão, edema (“inchaço”) de mãos e pés e proteinúria (proteína na urina), normalmente após 20 semanas de gestação e na primeira gravidez. A pré-eclâmpsia é a principal causa de morte materna e perinatal nos países em desenvolvimento, como o Brasil, e possui alguns fatores de risco conhecidos para seu acontecimento, como: história de pré-eclâmpsia na família, história anterior de pré-eclâmpsia, diabetes, hipertensão crônica e gestação com parceiro diferente. É importante salientar que o desfecho do quadro dependerá de alguns importantes fatores, como a idade gestacional em que a doença foi diagnosticada, gravidade da doença, qualidade do atendimento e a presença de outras doenças maternas pré-existentes. Como a etiologia dessa doença permanece desconhecida, a maneira mais eficaz de prevenção é implementar um pré-natal bem feito. O único tratamento que curará a doença é o parto.

Eclâmpsia: consiste no quadro de pré-eclâmpsia, acrescido de convulsões (excluindo outras possibilidades diagnósticas, como epilepsia). A eclâmpsia está relacionada ao aumento da chance de mortalidade materna, havendo ainda um grande número de mortes devido a esta doença, no Brasil, principalmente por causa de uma assistência pré-natal inadequada, enfatizando a importância da regularidade e da qualidade das consultas durante a gravidez.

Hipertensão crônica: consiste no quadro de hipertensão que aparece antes da gravidez, ou antes de completar 20 semanas de gestação. É importante salientar que o diagnóstico pode ser difícil de ser feito durante a gestação, pois geralmente as grávidas possuem uma leve diminuição nos níveis de pressão arterial, na primeira metade de gestação. Além disso, considera-se hipertensão crônica quando é diagnosticada na gravidez e a pressão não normaliza no pós-parto.

Pré-eclâmpsia ou eclâmpsia com hipertensão crônica: consiste no surgimento de pré-eclâmpsia ou eclâmpsia, em uma gestante com antecedentes de hipertensão crônica ou doença renal, como o aparecimento de proteinúria após as 20 semanas de gestação, um aumento adicional da proteinúria na gestante, com aumento anterior, ou até um aumento súbito da pressão arterial em quem apresentava níveis controlados previamente – qualquer alteração clínica ou laboratorial característica de pré-eclâmpsia ou eclâmpsia -.

Hipertensão gestacional: consiste no aumento da pressão arterial após 20 semanas de gestação e sem proteinúria, em mulheres inicialmente não-hipertensas, e que desaparece até 12 semanas após o parto. É um quadro que requer atenção, pois pode representar uma pré-eclâmpsia que ainda não teve tempo de desenvolver proteinúria, recorrência de hipertensão arterial que esteve mais branda no período intermediário da gestação, hipertensão crônica, se a pressão se mantiver elevada após 12 semanas do parto, ou uma hipertensão transitória, se normalizar nesse período. A hipertensão gestacional tem alto índice de recorrência em gestações posteriores e por isso as pacientes devem ser acompanhadas continuamente.

A importância da atenção à hipertensão na gravidez, portanto, está ligada aos elevados riscos para a mãe e para o bebê. Mulheres com pré-eclâmpsia têm quatro vezes mais risco de desenvolver hipertensão crônica e até o dobro de chances de tromboembolismo venoso e AVCs. Além disso, a restrição do crescimento intra-uterino e as condições adversas desse ambiente, em situação de mãe hipertensa, aumentam o risco de o bebê desenvolver aterosclerose precoce e comprometer o desenvolvimento fetal e a saúde dessas crianças na vida adulta. A avaliação cuidadosa e acompanhamento da gestante no pré-natal e, posteriormente, da paciente e seu filho são indispensáveis para evitar mais complicações e controlar os fatores de risco que possivelmente prejudicam a vida e a saúde.

Possivelmente, a gestante necessitará de tratamento medicamentoso com antihipertensivo, a depender do caso, sendo, portanto, essencial a prevenção com um bom pré-natal e evitar também o estresse durante a gestação.

Larissa Fonseca e Luisa Danielle Souza, estudantes de medicina da Universidade Federal da Bahia – UFBA e integrantes da Liga Acadêmica de Ginecologia e Obstetrícia da Bahia – LAGOB.

Referências:

  • FEBRASGO, Manual de Orientação – Diabete e Hipertensão na Gravidez. 2004.
  • Freire CMV, Tedoldi L. Hipertensão arterial na gestação. Arq Bras Cardiol. Dez 2009; 93 (6).

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