Queixas frequentes em gestação normal: Condutas a adotar

Queixas frequentes em gestação normal: Condutas a adotar

Queixas frequentes em gestação normalDurante a gestação, as pacientes são orientadas a restringir, ao máximo, o uso de medicamentos para evitar complicações materno-fetais. Porém, inúmeras queixas são frequentes nos diferentes períodos gestacionais, que costumam ser transitórias e, muitas vezes, específicas de cada período.

  • Primeiro trimestre

    Náuseas, vômitos e tonturas são sintomas frequentes, principalmente no primeiro trimestre. São tão comuns no início da gestação que muitas vezes são tidos como indício de gravidez.

    Nesse período, as mulheres podem se sentir deprimidas e reduzir a produtividade no trabalho, inclusive afetando as relações sociais. O “mal-estar-matinal”, caracterizado por náuseas, vômitos e indisposição, começa entre a primeira e segunda semana de atraso menstrual e pode durar até o final do terceiro mês de gravidez. Cerca de 20% das gestantes permanecem com esses sintomas por um longo período, e 2% sofrem até o final da gestação. O aumento excessivo do peso corpóreo, gestação múltipla e nuliparidade (primeira gravidez) são fatores de risco para esses sintomas.

    A teoria da causa das náuseas e vômitos é justificada pelo aumento da concentração de gonadotrofina coriônica humana (HCG), que ocorre em maiores quantidades no primeiro trimestre. O importante é saber que estes são sintomas comuns e normais da gestação.

    No caso de náuseas e vômitos, pode-se fazer uma dieta fracionada (seis refeições leves ao dia), evitar frituras, gorduras e alimentos com cheiros fortes ou desagradáveis; evitar líquidos durante as refeições, dando preferência à sua ingesta nos intervalos das mesmas e em pequenas quantidades; ingerir alimentos sólidos antes de levantar-se pela manhã, e deitar-se quando se sentir enjoada. Caso os sintomas não melhorem, agendar consulta médica para avaliar a necessidade de uso de medicamentos ou de outras intervenções específicas, principalmente em caso de vômitos frequentes, que pode comprometer o estado geral da paciente.

  • Segundo trimestre

    No segundo trimestre da gestação, é comum o surgimento de queixas como azia, má digestão, flatulência, obstipação (prisão de ventre), hemorroidas, inchaço, varizes, micro vasos e cãibras, devido ao crescimento do útero, que exerce pressão sobre os órgãos da cavidade abdominal e, também, as elevadas concentrações de hormônios, próprios da gravidez. Para reduzir o incômodo ocasionado por esses sintomas, pode-se adotar uma dieta fracionada (já referida anteriormente), além de evitar o consumo de café, chá preto, mate, doces, álcool e fumo.

    Outra medida nutricional muito eficiente para gestantes com má digestão, flatulência e prisão de ventre é o consumo de frutas de maneira geral (consumir o máximo de frutas que puder), especialmente mamão e ameixa, além de verduras e cereais integrais. A ingestão de líquido é sempre importante, assim como limitar o consumo de alimentos de alta fermentação, como repolho, couve, ovo, feijão, leite e açúcar, já que estes são grandes produtores de gases, e aumentam a flatulência.

    Uma alimentação rica em fibras também é importante para as gestantes que possuem hemorroidas, a fim de evitar obstipação. Nessa situação, é importante realizar a higiene perianal com água e sabão neutro, evitando o uso de papel higiênico, principalmente o colorido ou áspero.

    Não ficar muito tempo em pé, repousar com as pernas elevadas, ao longo do dia, não utilizar roupas justas e, se possível, utilizar meia-calça elástica específica para gestante, são medidas eficazes para prevenir o surgimento de varizes e melhora do inchaço.

  • Terceiro trimestre

    Caminhando para o terceiro trimestre, o útero já está bem aumentado e o bebê crescendo mais e mais. As modificações no organismo materno, necessários para abrigar o bebê, acarretam mais alguns sintomas na mãe acrescidos da maior expectativa nessa fase, na qual há muita ansiedade e apreensão com a proximidade do parto.

    Nessa fase, a respiração fica mais curta e frequente. A falta de ar é causada pela compressão do útero sobre o diafragma, músculo essencial para a respiração. À noite, procure alívio deitando-se para o lado esquerdo, com travesseiros extras até a altura do ombro, o que elevará o tronco. Se a falta de ar for associada a outros sintomas, procure um médico.

    O crescimento do bebê também comprime a bexiga, podendo levar a perdas involuntárias de pequenas quantidades de urina ao tossir, correr, rir ou fazer algum esforço. A melhor prevenção é urinar com frequência, mas, nunca diminuir a ingestão de líquido.

    Cãibras são comuns no período final da gestação e podem ser sintoma de falta de cálcio e potássio. Quando for surpreendida por cãibras, massageie o músculo contraído e dolorido; aplique calor no local, aumente o consumo de alimentos ricos em potássio, cálcio e vitamina B1 e evite excesso de exercícios.

    As contrações também são preocupações frequentes das gestantes, nessa fase. Elas podem ocorrer principalmente ao se deitar, mas, caso no dia seguinte não sentir mais nada, não são as contrações do parto. No entanto, se ficarem mais frequentes (intervalo inferior a dez minutos) e mais intensas (cada contração deve durar cerca de um minuto), a gestante deve se dirigir a uma maternidade. Em pleno trabalho de parto, ocorrerão, no mínimo, duas contrações em dez minutos.

    Um fato comum que ocorre nessa fase é a gestante perder urina e confundir com perda d’água. A um esforço da mulher, há uma compressão maior da bexiga, podendo perder líquido. Se tiver cheiro e cor de urina, não há com que se preocupar. Na perda d’água, essas características não existem; ela é involuntária após o rompimento da bolsa, e a mulher não consegue ter controle.

    No final da gestação, as visitas ao médico têm de ser mais próximas umas das outras e os cuidados redobrados. Seguindo essas condutas você terá uma melhor qualidade de vida durante sua gestação, fase única e fascinante da vida mulher.

Jessica Carvalho, Núbia Gessiane e Rebeca Requião (Membros da Liga Acadêmica de Ginecologia e Obstetrícia da Bahia – LAGOB).

Referências: Neto C.M. Guia Prático de Condutas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. 2013; Parras A.P, Leocádio E., Schirmer J. et AL. Manual Técnico do Ministério da Saúde, Assistência ao Pré- Natal. 2000. Pg 59- 62. SP; Amaral E.M; de Souza F.L.P; Cecatti A.G. Manual Técnico do Pré-natal e Puerpério – Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, 2010.


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