Parto Cesariano: quando fazê-lo?

Parto Cesariano: quando fazê-lo?

Parto CesarianaNo Brasil, o índice de cesarianas vem crescendo a cada ano, sendo considerado um dos maiores percentuais no mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza como ideal uma taxa de parto cesáreos de 10 a 15% quando comparado aos partos normais. Atualmente cerca de 45% dos partos realizados no país são por via alta (cesariano), e na rede particular esse percentual gira em torno de 85%.

Essa elevada taxa de cesáreas deve-se à indicação médica indiscriminada e à escolha da paciente, muitas vezes desinformada quanto aos riscos que envolvem o procedimento, bem como às reais indicações deste. O parto cesariano, se bem indicado, exerce um papel preponderante, pois os benefícios superam os malefícios, porém, se desnecessário, este torna-se uma ameaça à saúde materna e fetal.

A população em geral tende a achar que o parto cesáreo é um procedimento ideal para qualquer gestante, absolutamente seguro, indolor e moderno. De fato, trata-se de um grande ganho para a medicina, capaz de prevenir grandes complicações e de salvar vidas quando corretamente indicado. Porém, é importante informar que este é um parto cirúrgico que implica em riscos e que contribui para o aumento da morbimortalidade materno-fetal.

Bebês nascidos por cesariana eletiva têm maior risco de desenvolver problemas respiratórios, quando comparados aos nascidos por parto via vaginal espontânea (parto normal), além de possuírem maior risco de interrupção precoce da amamentação. As mães submetidas a esse procedimento têm risco aumentado de infecções, de necessidade de transfusão sanguínea, de problemas cardíacos e pulmonares, bem como de desordens gastrointestinais.

Dentre as indicações de parto cesáreo, destacam-se a apresentação pélvica – popularmente conhecida como a posição em que o bebê encontra-se sentado -, as gestações trigemelar e gemelar, na qual o primeiro bebê esteja em apresentação pélvica, este podendo ocorrer por via vaginal se o mesmo estiver em apresentação cefálica – posição em que o bebê encontra-se com a cabeça encaixada na pelve da mãe -.

Caso haja sinais de Sofrimento Fetal Agudo, o que é indicativo de que o bebê não está bem, a cesariana é bem recomendada, assim como nos casos em que as ultrassonografias apontam que o feto encontra-se em situação transversa (atravessado na barriga da mãe), ou que seu tamanho e peso são incompatíveis com a pelve materna. Algumas patologias como placenta prévia, deslocamento prematuro de placenta e procidência do cordão, podem surgir durante a gravidez e inferem num parto cesariano. Algumas malformações congênitas detectadas nas ultrassonografias, também podem levar a indicações dessa via de parto, assim como mães portadoras de HIV e de herpes genital ativo.

É importante que toda gestante tenha conhecimento que a cesariana é uma via de parto importante para desfechos positivos, em diversas situações, porém sua realização indiscrimada expõe a mãe e o bebê a inúmeros riscos que precisam ser ponderados. Antes de ser submetida ao parto cesariano, a gestante deve ser informada sobre os benefícios e malefícios que este procedimento proporcionará no contexto particular da sua gestação e, junto com o seu obstetra e o seu companheiro, buscar a via de parto mais segura e proveitosa para a saúde materna e fetal.

Nesse contexto, uma boa relação com o médico assistente, pautada em uma confiança mútua e no respeito aos desejos da paciente, torna-se determinante para um desfecho saudável.

Ananda Carneiro e Maria Tereza Karaoglan, estudantes de medicina da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública e integrantes da Liga Acadêmica de Ginecologia e Obstetrícia da Bahia – LAGOB.

Referências:

  • Martins-Costa SH, Hammes LS, Ramos JG, Arkader J, Corrêa MD, Camano L. Cesariana – Indicações. Projeto Diretrizes 2002 Ago 14.
  • Mandarino NR, Chein MBC, Júnior FCM, Brito LMO, Lamy ZC, Nina VJS, et al. Aspectos relacionados à escolha do tipo de parto: um estudo comparativo entre uma maternidade pública e outra privada, em São Luís, Maranhão, Brasil. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro 2009; 25(7):1587-1596.

  • Rodape

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