Primeiros Socorros

Os acidentes domésticos são muito comuns na infância e causa de muitas mortes infantis, até o primeiro ano de vida. É preciso conhecer um pouco sobre “primeiros socorros infantis”, quando se tem criança em casa, assim, caso algum acidente aconteça, o conhecimento sobre o assunto é essencial para assegurar os cuidados imediatos e o não agravamento do quadro.

Os primeiros socorros são procedimentos básicos de emergência, que devem ser aplicados a uma pessoa ferida ou em situação de risco eminente, procurando manter os sinais vitais estáveis até que a vítima receba os cuidados médicos adequados. Um socorro rápido e uma avaliação adequada da situação do acidente são fundamentais para o diagnóstico do problema, assim como os procedimentos corretos tomados para cada caso.

É essencial que os contatos dos responsáveis pela criança, ou dos médicos da criança devam estar sempre à vista, na residência, na sacola de sair, bem como algum documento de identificação, para que todos que cuidam da criança, em caso de necessidade, saibam localizar, com facilidade, os responsáveis e médicos. É também importante ter registrados os números básicos de emergências, tais como:

  • CORPO DE BOMBEIROS: 193
  • SAMU: 192
  • POLÍCIA: 190

Existem algumas condições básicas a serem conhecidas por todo indivíduo que presta um socorro inicial a uma vítima, como:

  1. Manter a calma, o máximo possível, para agir com coerência e de forma rápida;

  2. Observar o ambiente, a dimensão do acidente e gravidade da vítima, evitando que quem socorra também se torne uma vítima, ou coloque em risco sua própria vida;

  3. Avaliar o nível de consciência da vítima. Caso não haja movimentação da pessoa, tentar chamar a atenção da mesma chamando-a pelo seu nome ou até aplicando algum estímulo doloroso;

  4. Solicitar ajuda de qualquer pessoa próxima e capacitada, e chamar o atendimento de emergência, ou ajudar a levar a vítima do local do acidente para um hospital mais próximo (lembrando que existem situações em que a vítima não pode ser movimentada por quem não tem o conhecimento adequado, evitando, assim, fraturas e traumas corporais irreversíveis, a exemplo da coluna);

  5. Transmitir confiança e calma a vítima, em estado consciente, e tomar as providências de socorro básicas, dentro do conhecimento prévio de cada um, até que a ajuda médica adequada chegue.

Acidentes mais comuns

Abaixo, os acidentes mais comuns com crianças e as providências a serem adotadas nos primeiros socorros:

Quedas

  1. Quando uma criança cair, deve-se avaliar a altura da queda e o terreno em que ela caiu, ou se foi uma simples queda da própria altura (quando se cai naturalmente, a exemplo de um tropeço);

  2. Se a criança cair e estiver acordada, acomodá-la em um local arejado, avaliando a existência de lesões ou sangramentos, principalmente nas costas e na cabeça;

  3. Se ela estiver desacordada e a queda for de um local muito alto, não mexer nela e chamar socorro médico imediato, pois pode ter acontecido um trauma na coluna e qualquer movimento poderá agravar o quadro;

  4. Se for menor de um ano, após qualquer queda, levar imediatamente para o hospital, principalmente se bateu com a cabeça;

  5. Em caso de uma queda sem lesões graves e sem perda de consciência, observar a criança nas próximas 24 horas, e caso apareça algum sintoma estranho, que possa estar relacionado com a queda (visão turva, tontura, náuseas, perda de equilíbrio, pupilas desiguais), buscar auxílio médico imediato. Sempre deixar a criança em observação, principalmente se ela estiver referindo sono, não permitindo que ela durma, pois o sono é um mecanismo que o sistema nervoso tem para evitar lesões maiores – o corpo avisa que alguma coisa está errada -;

  6. Se for apenas uma formação de “galo”, colocar imediatamente uma bolsa de gelo no local, retirando aos poucos, durante 15 minutos. Não colocar o gelo diretamente na pele, pois queima.

Corte

  1. Se for um corte simples ou arranhadura, lavar com água e sabão neutro, e se tiver sujidade, retirar cuidadosamente com o auxilio de uma gaze. Nunca utilizar algodão ou qualquer outra coisa que grude no ferimento;

  2. Se for uma lesão com sangramento, pegue um pano limpo e umedecido com água, limpe o local e observe o tamanho da lesão, comprimindo o ferimento durante 5 a 10 minutos, até estancar o sangramento (não comprimir se tiver uma suspeita de fratura). Após estancar o sangue, lave o local com água e sabão, depois cubra com gaze, dependendo do tamanho da lesão;

  3. Observe se o corte é profundo. Caso o sangramento não pare, cubra com uma gaze ou pano limpo, comprima e leve a criança imediatamente ao hospital, ou atendimento de saúde mais próximo, pois pode haver necessidade de pontos. Sempre deixe o membro com lesão mais elevado do que o corpo e não faça torniquete;

  4. Se a lesão for provocada por objeto com ferrugem ou pontiagudo, procure atendimento médico para avaliar a necessidade de fazer o reforço da vacina antitetânica;

  5. Caso a lesão seja provocada por objeto cortante e ele fique inserido no local, não retirar o objeto. Enrole-o junto ao local do ferimento, pois somente um médico deve retirá-lo, sob cuidados específicos;

  6. Não passar antissépticos no local da lesão, nem pomadas, nem qualquer tipo de receita caseira, sem recomendação médica. Não use algodão seco, pois ele gruda na lesão;

Fraturas ou traumas em membros

  1. Caso ocorra uma fratura em que as partes estejam expostas, cubra o local com algum pano limpo e ponha compressa de gelo próximo à exposição, e encaminhe a pessoa ao hospital, com urgência, ou solicite socorro médico de emergência;

  2. Se for fratura simples, entorse, luxação ou hematoma, e a pessoa estiver sentindo dor intensa, porém movimenta o membro, mesmo que pouco, não force a movimentação do membro afetado. Tente imobilizá-lo com algum pano em objeto plano, e leve a criança diretamente ao hospital;

Convulsão

  1. No momento da convulsão, afaste a criança de situações que ofereçam perigo, tais como piscinas, fogo, móveis, escadas, janelas, sacadas etc., assim como retirar objetos cortantes de próximo dela, como óculos, gargantilhas e anéis;

  2. Afrouxe as roupas dela;

  3. Deite-a em algum lugar confortável;

  4. Proteja a cabeça, colocando um pano embaixo dela (coxim), deixando à vontade os movimentos do corpo;

  5. Após a crise, lateralize a cabeça da vítima, evitando assim que ela broncoaspire secreções produzidas pela boca. Se perceber alguma obstrução causada pela língua, fica fácil desobstruí-la com esse movimento;

  6. Retirar próteses, quando houver;

  7. Observar o tempo e o padrão da crise (posição dos membros e movimentação), os sintomas que ocorrerem, enquanto aguarda passar a convulsão;

  8. Procure ajuda médica, ligando para algum serviço de emergência.

Engasgo com alimentos

Crianças menores de dois anos:

  1. A depender do tamanho da criança, coloque-a de bruço sobre um de seus braços ou no colo, com a cabeça um pouco inclinada para baixo. Segurando o queixo com os dedos, com a palma da outra mão, comprima as costas da criança firmemente, mas com leveza, por cinco vezes, na altura das costelas. Após realizar esses movimentos, vire-a de barriga pra cima e com o dedo médio e o anelar comprima cinco vezes o peito – na linha entre os mamilos -, depois volte-a para a posição de barriga para baixo, repetindo os movimentos, sucessivamente. Chame o atendimento médico de emergência;

  2. Em bebês, se for o início de um engasgo por golfada, ponha a criança de lado, para evitar que ele broncoaspire qualquer retorno de alimentação. Mantenha-o sobre observação por algum tempo;

Crianças acima de dois anos:

  1. Se ela estiver consciente, observe o interior da boca, e caso tenha algum objeto de fácil acesso, retire-o. Se não for possível, deite-a no chão ou em alguma superfície estável, e apoie uma mão na região acima do umbigo, e comprima firmemente o local por cinco vezes. A intenção é ela regurgitar o objeto;

  2. Outra forma dessa manobra é colocar a criança de pé e abraça-la por trás, comprimindo o abdômen, acima do umbigo, realizando um movimento de baixo para cima com seu punho, por cinco vezes. Nesse procedimento, coloque uma de suas pernas entre as pernas da criança, para dar apoio, caso ela desmaie;

  3. Em caso de perda de consciência e arroxeamento da face, não tente retirar o objeto que não esteja visível. Solicite atendimento de emergência e inicie as manobras de ressuscitação cardiorrespiratória.

Manobras de ressuscitação cardiorrespiratória

Para crianças de até 12 anos:

  • Deite-a no chão, de barriga para cima, faça 15 compressões cardíacas, na região entre os mamilos, com a palma de uma das suas mãos; em seguida, faça duas ventilações, assoprando ar pela boca da criança, para dentro dela, com o nariz apertado, até o retorno da consciência, ou até chegar o atendimento médico;

Para bebês e menores de 2 anos:

  • O procedimento deve ser iniciado, primeiramente, com duas ventilações (a boca do socorrista deve abranger o nariz e a boca da criança) e em seguida 15 compressões, com os dois dedos da mão (indicador e anelar), na região entre os mamilos, até o retorno de consciência da criança, ou até chegar o atendimento médico;

Engasgo com objetos

Nos casos de objeto engolido, colocado no nariz ou ouvido:

  1. Se não se sabe o que foi engolido, a criança deverá ser levada ao hospital para avalição médica e realizar exames para determinar o objeto, e se há perigo de vida;

  2. Jamais utilize pinças ou cotonetes para retirar o objeto, pois o quadro pode se agravar ou empurrar ainda mais o objeto para dentro do corpo;

  3. Em perda de consciência e arroxeamento da criança, solicite atendimento de emergência, e inicie as manobras de ressuscitação cardiorrespiratória citadas acima;

  4. Jamais induzir o vômito da criança, pois isso poderá agravar o quadro.

Mordida de animais

  1. Lave o local com água corrente, limpa, e sabão por, no mínimo 10 minutos, e cubra a região com uma gaze ou pano limpo. Procure um socorro médico para avaliar a necessidade de algum procedimento, como vacina;

  2. Animal doméstico: observá-lo por 10 dias, para verificar se ele apresenta sintomas da raiva (o animal se torna mais agressivo, mais agitado e costuma espumar pela boca). Se for animal desconhecido, ligar para o CIAVE (Centro Antiveneno da Bahia) – Disque Urgência Toxicológica (24 horas) – 0800 284 4343- para tentar a captura do animal (evitando que ele cause mais vítimas), ou caso ele fuja, procurar informações de como proceder para cada situação. O mais indicado é o esquema de vacinação antirrábica, o mais rápido possível;

  3. Picadas de insetos como formigas e abelhas: aplique uma compressa fria ou bolsa de gelo no local. Se a criança apresentar alergia, leve-a imediatamente ao atendimento médico;

  4. Picada de animal peçonhento: mantenha a criança deitada, imóvel, com o local atingido mais elevado que o resto do corpo. Afrouxe as roupas e retire qualquer coisa que possa dificultar a circulação de sangue no corpo. Chame atendimento médico ou leve-a até o hospital mais próximo ou especializado, com o mínimo de movimento possível. Podem ser usadas compressas frias no local, para amenizar a dor. Ligue para o CIAVE (Centro Antiveneno da Bahia) 0800 284 4343, para obter informações sobre o animal. Se possível, matar o animal e levar junto, para identificar o soro correto contra o veneno e para os cuidados médicos adequados. Não fazer torniquete no local, não administrar medicamentos, e não tentar chupar o veneno com a boca nem fazer cortes ao redor da mordida.

Lesão com dentes

  1. Em caso de trauma e o dente sair ou quebrar, coloque-o sobre a saliva da criança, depois ponha-o no local de onde ele saiu, comprimindo levemente com uma gaze, e encaminhe a criança a um atendimento odontológico. Se isso não pode ser feito, coloque-o dentro de um copo com leite e leve junto à criança para o atendimento;

  2. Não enrole o dente deixando-o seco, pois ele desidrata, dificultando o implante;

  3. Se possível, colocar gelo no local para amenizar a dor e o inchaço.

Intoxicação e alergias

  1. Intoxicação por produtos químicos: Levar a criança imediatamente ao hospital, ou solicitar atendimento médico de urgência. Se houver contato com os olhos, lavar em água corrente, por 5 a 10 minutos, no sentido canto interno para o canto externo do olho;

  2. Observar quantos medicamentos ou a quantidade do produto tóxico ingerido, para fornecer informações durante o atendimento médico;

  3. Alergias: Se a criança estiver iniciando os sintomas, ofereça o antialérgico receitado pelo seu médico. Caso não melhore, busque atendimento de urgência ou leve a criança para o hospital mais próximo, pois os sintomas podem evoluir para uma parada respiratória e cardíaca, como pode ocorrer edema de glote;

  4. Nunca force vomito à criança.

Queimadura

  1. Queimadura simples (aquelas que se tem apenas ardor e vermelhidão): Coloque o local na água fria, corrente, por 10 minutos, e se o local for extenso, ponha a criança sob o chuveiro. Depois, cubra o local com pano úmido, e leve-a ao atendimento médico especializado;

  2. Queimadura com bolhas: Após lavar o local por 10 minutos com água fria e corrente, seque e enrole com gaze, cuidadosamente, para evitar estourar as bolhas. Caso a situação não apresente melhora, leve a criança ao hospital;

  3. Queimadura na maior parte do corpo: Molhe a criança com água fria, enrole-a em panos úmidos, e a encaminhe ao hospital;

  4. Nunca coloque produto, pomadas ou receitas caseiras no local da queimadura, pois podem piorar o quadro e causar alergias.

Sangramentos

  1. Nasal: Mantenha a cabeça da criança levemente inclinada para a frente e comprima o nariz por 10 minutos, com os dedos, ou um pano seco. Procure atendimento médico;

  2. No ouvido: Procure atendimento médico com urgência, pois pode ter perfuração de partes importantes do ouvido;

  3. Ocular: Coloque compressas de água fria nos olhos, e procure atendimento médico, com urgência;

Choque elétrico

  1. É essencial interromper o contato da eletricidade com a criança. Primeiramente, desligue a chave elétrica geral, depois retire-a da fonte do choque. Não puxe a criança, pois você é fonte condutora e também pode levar choque. Afaste-a com auxílio de material emborrachado;

  2. Em caso de perda de consciência, verifique se a criança respira e em seguida chame o atendimento médico, ou leve-a ao hospital. Se ela não respirar, inicie os procedimentos de ressuscitação cardiorrespiratória citados acima, até o socorro médico chegar.

  • Rodape

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