Crescimento e desenvolvimento

Crescimento e desenvolvimentoO Crescimento é um processo natural de aumento de tamanho de todo ser vivo, e, no ser humano, pode ser medido por parâmetros como peso, altura e perímetro cefálico.

Já o desenvolvimento infantil tem um conceito bastante amplo, e, em geral, se configura como o ato de crescer, evoluir, modificar. Na infância, o desenvolvimento é caracterizado por todas as etapas e ciclos passados pela criança, fundamentais para a formação das demais fases da vida, até o ser adulto.

O desenvolvimento infantil é dividido em três períodos: primeira infância – de 0 a 3 anos -, segunda infância – de 3 a 6 anos -, e terceira infância – de 6 a 12 anos. Na primeira infância, o desenvolvimento inicia considerando os aspectos motor, sensorial e cognitivo, todos eles interligados e totalmente dependentes um do outro. Esses aspectos podem sofrer influências de fatores externos, tais como: o ambiente em que vive, hábitos, educação, conhecimento e crenças familiares, bem como de fatores internos, a exemplo de: herança genética ou interferências causadas no período gestacional materno.

Primeiramente, falaremos um pouco sobre o desenvolvimento na primeira infância, relatando seus principais aspectos. Entretanto, é importante salientar que o desenvolvimento, nesta fase, varia de criança para criança, não sendo patológico caso a criança não corresponda a um dos indicativos abaixo, nos períodos estabelecidos. Mas, acontecendo, a mãe deve buscar acompanhamento médico para verificar os padrões da criança.

Desenvolvimento Motor

Este é visto como as mudanças ocorridas na parte física da criança, relacionadas ao seu movimento (o que se move, onde, como e com quem se move). O desenvolvimento motor é importante para o crescimento infantil, e em função da quantidade de estímulos oferecidos pelos que o cercam, pode agregar um maior ou menor acervo motor. Esse desenvolvimento é visto por todas as pessoas que o acompanham no seu dia a dia.

As mudanças mais significativas na parte físico-motora da criança acontecem na fase de colo até seus primeiros passos – mais ou menos um ano de idade -, como mostra a tabela abaixo.

Período da Criança Reflexos subcorticais
1 mês Acompanha a luz
2 meses Sorri e balbucia
3 meses Sustenta a cabeça
4 meses Pega objetos
5 meses Gira sobre o corpo
6 meses Se mantem sentado
7 meses Preensão palmar
8 meses Pinça digital
9 meses Senta-se sozinho
10 meses Engatinha
11 meses Em pé, anda com apoio
12 a 15 meses Caminha sozinho

Do primeiro aos três anos de idade, a criança apresenta outros aspectos do desenvolvimento motor, como: engatinha sozinho, aprendem a subir e descer escadas de até quatro degraus, ficam sobre um perna, com apoio, criam independências em subir em móveis, tem bom equilíbrio de pé, começam a empilhar objetos, correm, andam para trás e pulam, até o aprimoramento do equilíbrio dinâmico, ficando motoralmente prontas até os 5 anos de idade.

Obs.: Lembramos que os dados acima podem variar de criança para criança, por isso a importância de acompanhamento médico em todas as fases.

Desenvolvimento sensorial

Segundo Jean Piaget (psicólogo e filósofo suíço da educação), o desenvolvimento sensorial é visto como o primitivo do desenvolvimento cognitivo, porque as primeiras manifestações de inteligência do bebê aparecem em suas percepções sensoriais e suas atividades motoras.

Este desenvolvimento tem como instrumentos os sentidos do corpo: visão, olfato, paladar, audição, tato e fala. Alguns desses, apesar de iniciarem ainda no período intrauterino e até após o nascimento – ao longo dos primeiros meses e anos de vida -, têm suas complexidades evoluídas. A criança passa a fazer algumas das principais descobertas que podem ser levadas para seu futuro, como saborear e preferir alimentos e cheiros, sentir sede, ter capacidade de dormir e acordar com barulhos, pegar objetos de sua preferência visual e auditiva, e até reconhecer pessoas e partes do seu próprio corpo.

Abaixo falaremos um pouco desses sentidos:

  • Visão

O bebê usa a visão para absorver a maior quantidade de informações para o seu desenvolvimento. Ele enxerga quase tudo ao nascer, porém sua visão é desfocada no início, preferindo os extremos preto e branco, e consegue enxergar até mais ou menos 30 cm, percebendo com clareza o rosto de quem o carrega, ou o seio da mãe.

Quando os seus olhos ficam “vesgos” é porque eles ainda não sabem usá-los concomitantemente. Com um ou dois meses, no entanto, eles já aprendem a focalizar os dois olhos ao mesmo tempo e é capaz de acompanhar com o olhar um objeto em movimento. A partir do terceiro mês de vida, as crianças começam a distinguir cores mais fortes e semelhantes, formatos e desenhos mais detalhados e complexos. A partir daí, o olhar da criança desenvolve a percepção de profundidade e, juntamente com o braço e mãos, passam a pegar objetos menores.

No oitavo mês, ele já reconhece pessoas em longas distancias e a visão é quase igual à de um adulto. Nesse período a cor dos olhos já é quase definida.

A dica é: Embora os rostos humanos sejam a preferência da criança, incentive-o com objetos coloridos, pois ele enxergará a evolução das cores gradativamente, sempre das cores mais escuras para as mais claras, e das destoantes para as mais parecidas. A visão do bebê vai se tornando melhor com o passar do tempo.

  • Audição

O bebê já tem parte da audição desenvolvida desde o período uterino, quando ele já ouve a voz da mãe e barulhos fortes no ambiente externo, que o agitam durante esse período. Após o nascimento, rapidamente ele desenvolve a audição, e, aproximadamente até o final do primeiro mês, sua audição está completa. Mas, isso não quer dizer que ele compreenda o que escuta. A maturidade auditiva está diretamente ligada ao seu desenvolvimento cerebral. A preferência, nessa fase, são os sons mais fortes, como a voz do pai, e os sons mais repetidos. Estes são os que ele aprende a responder melhor e que estimulam diretamente o cérebro, interferindo nas conquistas do seu desenvolvimento motor.

Entre o terceiro e o quinto mês, a criança já acompanha com o olhar o som de objetos e da fala de pessoas, além de perceber novos barulhos. Até os 10 meses, ela começa a reconhecer o seu nome quando solicitado.

  • Olfato

O bebê já nasce com o olfato bem desenvolvido, sentindo odor e sabendo reconhecer diferentes cheiros, desagradáveis ou não. Esse sentido já está presente desde o período intrauterino devido à cavidade nasal começar a funcionar na nona semana de gravidez. O olfato é conhecido como o sentido que liga o bebê a mãe, pois logo ao nascer, se for colocado sobre ela ou amamentar ao peito, ao sentir o seu cheiro, a reconhecerá mesmo sem enxergar ou entender o que é.

  • Paladar

É um dos sentidos pouco desenvolvido quando nasce, e a criança só reconhece entre 3 a 4 sabores, mesmo que estes tenham sido formados no útero. Doce, amargo e azedo são os primeiros sabores reconhecidos, e o sabor salgado, só a partir do quarto mês. O sabor adocicado ele reconhece e o agrada mais rapidamente por ser o sabor predominante no leite materno. Ao longo tempo, as diferenças e aprimoramento são reconhecidos e formados.

  • Tato

É um sentido importante e bem desenvolvido, ativado ainda na vida intrauterina. Após nascido, o toque dos familiares, o calor humano e massagens ajudam a desenvolver esse sentido, acalmando, relaxando e confortando o bebê.

Os receptores do tato (que ficam na pele humana) são muito sensíveis, desde o útero, principalmente nas mãos; por isso, os bebês gostam de chupar o dedo e as mãos. Até mesmo dentro do útero, nas ultrassonografias, eles geralmente aparecem chupando o dedo polegar.

Há estudos que comprovam que o toque tranquiliza e acelera o desenvolvimento do bebê, melhorando o ganho de peso e seu sistema imunológico, ajudando em todos os aspectos de sua formação e desenvolvimento. O método canguru (quando a criança fica em contato com a pele da mãe, aconchegado ao seu seio quase o dia todo) para prematuros de baixo peso, é baseado nessa ideia.

A dica é: Em crianças prematuras, com a pele ainda muito frágil, por já possuir essa sensibilidade, os cuidados devem ser redobrados com relação às assaduras, temperatura ambiente e de banho, e, durante o seu crescimento, com os alimentos, superfícies e objetos frios ou quentes.

  • Linguagem

Quando nasce, o choro é a forma que o bebê tem de se comunicar com o mundo. Fome, desconforto e dor são alguns dos avisos refletidos pelo bebê através do choro, sua primeira linguagem. O choro muitas vezes está relacionado com as manhas e sentimentos, principalmente quando vão crescendo e descobrindo novas sensações. Em alguns casos, segurar o bebê no colo é a melhor forma de acalmá-lo.

A partir do segundo mês, passando para uma nova fase, junto com o choro o bebê inicia o balbucio e gritos. Em torno do sexto mês ocorre a emissão de vogais como “ahhhhh” e se inicia a repetição de silabas.

Em torno do oitavo mês é quando acontece o reconhecimento do próprio nome, quando chamado, e o entendimento de algumas pequenas palavras como “NÃO”. Estas palavras são misturadas por ele a gestos faciais e corporais, dando significado às coisas. É uma preparação para falar, o que acontece entre o 10º e o 14º mês. Por volta de um ano e meio ele já fala até 50 palavras, formando pequenas frases.

A partir dos dois anos, o desenvolvimento da linguagem oral se intensifica. Segundo especialistas, a criança começa a construção do seu vocabulário compreendendo mais de 150 palavras, acrescentando, diariamente, uma média de 10 novas palavras ao seu vocabulário, mesmo que todos os sons não sejam produzidos de forma correta.

Nesse momento é hora de tirar a chupeta, o dedo da boca e a mamadeira, pois poderá atrapalhar no desenvolvimento da musculatura facial, dos dentes e da respiração, interferindo diretamente na movimentação da língua durante a fala.

Aos três anos a criança já faz perguntas, e aos cinco anos completa o desenvolvimento da fala, quando, geralmente, já está inserido em uma escolinha.

Desenvolvimento cognitivo

Este é o processo de aquisição do conhecimento pelo indivíduo, ao longo de sua vida na sociedade. O desenvolvimento desse conhecimento tem como habilidades o pensamento, o raciocínio, a abstração, memória, atenção, criatividade, capacidade de resolver problemas, dentre outras. São etapas que ele aprende principalmente na infância, colocando em prática na sociedade, durante a adolescência e a juventude.

Algumas dessas habilidades são mostradas a seguir:

  • Iniciação escolar

A iniciação das crianças na sala de aula é feita buscando a socialização dos pequenos, estimulando o desenvolvimento da linguagem oral, auxiliando nas resoluções de conflitos, e dando significado a rotina proposta pela escola. O aprendizado é adquirido ao longo de experiências vividas com os colegas e a pedagoga. A curiosidade, como elemento primordial dos pequenos, auxilia na exploração do mundo que desenvolve, e os educa emocionalmente, socialmente e psicologicamente.

A pedagogia adotada de ensino depende de cada instituição, porém, sempre respeitando a cultura do local onde a criança está inserida, o tempo de aprendizagem de cada pequeno, e buscando o desenvolvimento intelectual, social e humano de seu educando.

Até bem pouco tempo, a criança iniciava a sua vida escolar em creches, o que acontecia até os três anos de idade, e a partir dos quatro anos, começa a vida escolar, propriamente dita. Em função do atual ritmo de vida (pais trabalhando o dia todo fora de casa, indisponibilidade de babás, insegurança custos, dentre outras variáveis) tornou-se prática colocar as crianças em creche, a partir de um ano, local onde elas têm atividades e acompanhamento profissional.

A partir de dois anos, o tempo na escola continua integral ou em turno, com atividades mais elaboradas, que podem ser realizadas em casa ou na própria escola, que servem para a sua socialização, através de aprendizado com desenhos, colagens e outras metodologias. Nessa fase, o aprendizado se classifica em grupos, sendo eles: Grupo 2, que abrange crianças entre dois e três anos; Grupo 3, em que as crianças de quatro anos já aprendem letras e números – tanto desenhando quanto contando -, e o Grupo 4, onde se encontram os de quatro e cinco anos, quando estas já aprendem a tracejar formas das letras e números, no papel, e descobrem outras atribuições como a ordem das letras.

No primeiro ano do ensino fundamental, aos seis anos, elas aprendem todo o alfabeto e as principais fórmulas matemáticas, uma preparação para a vida escolar.

  • Escrita

Segundo estudiosos, a criança tem seu primeiro contato com a escrita através de símbolos e imagens, que os envolvem desde os primeiros meses de vida, seja ao brincar com pessoas – que as ensinam letras e números -, seja com brinquedos. Nessa convivência, a criança vai elaborando seu conceito de linguagem escrita, compreendendo as diferentes funções do ler e do escrever, aprendendo a fazer distinções.

A partir de quatro anos e meio, elas passam a ter noção de letras e números, e aprendem a leitura convencional. No ensino regular, no final da escolarização – aos seis anos de idade -, a criança já deve dominar estes elementos e os explora de acordo com o que é ensinado.

  • Raciocínio lógico

De maneira gradativa, brincando, as crianças começam a conhecer números e noções de lateralidade, tamanho e formas geométricas. Ao engatinhar em um espaço livre e ao ouvir comandos como “cuidado, mais para cá”, “devagar para não bater a cabeça”, a criança começa e si compreender como sujeito em um espaço. Ao andar, passa a adquirir noções de distância, como longe e perto.

Observando e mexendo com brinquedos de empilhar, montar e encaixar, os pequenos se colocam em condições de aprender a contar. Geralmente, este aprendizado se inicia ensinando a contar os dedos das mãos, lembrando que não há idade exata para o início deste aprendizado acontecer, podendo variar de indivíduo para indivíduo.

  • Percepção de certo e errado

A família é a primeira sociedade que a criança tem como referência. Em busca de uma socialização amigável, a falta de limites pode gerar consequência, levando a criança a sérios problemas de inserção na sociedade. Por exemplo, o ditado “tudo pode por que ele é pequeno”, acaba confundindo a criança sobre a noção de certo ou errado.

Quando há uma fala clara e concreta como: ”não pode, pois vai machucar”; “não pode, pois não é seu”; “agora, pode ver”; “agora, pode comer”, a criança percebe e compreende a ação, facilitando a sua inserção na sociedade onde vive. Uma boa base educacional inicia mostrando o certo e o errado, desde bebê, para que este cresça com segurança e facilite sua preparação social, mesmo com a família repassando sua cultura e conhecimento sobre o mundo.

  • Rodape

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