Aleitamento Materno

Aleitamento maternoAntes de falar sobre o aleitamento materno, vamos conhecer alguns conceitos, para entender a sua importância e tomar uma decisão embasada sobre como vai alimentar o bebê em seus primeiros meses de vida.

Conceitos:

  1. AMAMENTAÇÃO: Ato ou efeito de amamentar.
  2. AMAMENTAR: Dar de mamar a; criar ao peito; aleitar; lactar…
  3. ALEITAMENTO: Ato ou efeito de aleitar.
  4. ALEITAR: Criar a leite…

(Fonte: Novo Dicionário da Língua Portuguesa, Aurélio B. de Holanda, 1a. ed. 1975.)

Diante disso, temos:

  1. ALEITAMENTO MATERNO: é a forma de se caracterizar que a nutriz (mãe) oferta o leite materno ao lactente (bebê). É também um título para promover essa cultura;
  2. MAMAR: é a forma que o lactente tem de receber o leite, que se configura como o ato da nutriz dar o peito a criança;
  3. LACTAÇÃO: é um fenômeno fisiológico neuroendócrino (hormonal) de produção de leite pela mãe, no pós-parto;
  4. APOJADURA: produção de leite após o parto.

OBS.: Nem todo aleitamento vem direto da mama da mãe (amamentação); também pode ser ofertado por Bancos de Leite Materno, ou outros tipos de leite, como fórmulas artificiais, leite de animais, a exemplo do de vaca e de cabra, ofertados em copinhos, mamadeiras e colheres especiais.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Aleitamento Materno Exclusivo é quando a criança recebe apenas leite materno, direto da mama ou ordenha, ou leite humano de outra fonte, sem outros líquidos ou sólidos, com exceção de gotas ou xaropes contendo vitaminas, sais de reidratação oral, suplementos minerais ou medicamentos. (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2009, p12).

Benefícios do ALM

Entre as gestantes, o Aleitamento Materno (ALM) é o assunto principal, depois do parto, pela sua importância para o bebê e para a mãe. As campanhas realizadas, mundialmente, são fortes, valorizando e estimulando esse ato considerado essencial para o desenvolvimento da criança, e também para a mãe, e que vem ganhando adeptas em todo o mundo.

O aleitamento deve ser tratado com seriedade e responsabilidade pela mãe, apoiado pela família e sociedade. Porém, existem casos específicos, na maioria das vezes advindos de problemas de saúde envolvendo a mãe e/ou o filho, que impossibilitam a amamentação, mas é bom lembrar que estes casos são a minoria.

O ALM é acima de tudo, um ato de amor, mas que traz muitos benéficos para os dois envolvidos (mãe e filho), como demonstrado na tabela abaixo.

Benefícios para mãe Benefícios para o bebê
  • A liberação de ocitocina durante a descida do leite aumenta as contrações uterinas, reforçando a involução do útero, que reduz a perda sanguínea pós-parto.
  • Mulheres que amamentam apresentam uma redução de risco de câncer ovariano e de mama na pré-menopausa. A redução do risco é proporcional ao tempo de amamentação (só para mães que amamentam antes dos 30 anos de idade).
  • As mães que amamentam também apresentam uma redução de incidência da osteoporose e fratura de quadril na pós-menopausa, assim como uma redução da incidência de obesidade em longo prazo, induzida pela gestação.
  • A amamentação reforça a ligação entre mãe e filho e claramente reduz os custos quando comparada ao uso de alimentação com fórmulas
  • Amamentar retarda a ovulação pós-parto e o ciclo menstrual (em algumas mulheres, e somente em aleitamento materno exclusivo, acontece a menorreia lactacional);
  • Promove a diminuição dos níveis de colesterol total, triglicerídeos, e melhora o metabolismo de carboidratos
  • O leite materno promove o desenvolvimento sensorial, cognitivo, e motor;
  • Melhora a resposta às vacinações;
  • Faz a prevenção de problemas ortodônticos e outros relacionados ao uso de chupetas e mamadeiras;
  • Diminui a incidência de morte súbita no berço;
  • Reduz a mortalidade infantil por doenças comuns da infância, como diarreia e pneumonia, e ajuda para uma recuperação mais rápida durante as doenças; (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2012).
  • Protege contra doenças como otite, infecção urinária, desenvolvimento de alergias, principalmente no primeiro ano de vida, doenças crônicas como diabetes, doença celíaca, doença de crohn, sendo maior a proteção em relação ao tempo do aleitamento materno;
  • O aleitamento materno também oferece benefícios para os pais e para a família, promovendo o fortalecimento dos laços afetivos entre mãe e filho, e o envolvimento do pai e demais familiares no cuidado, o que favorece o prolongamento da amamentação;
  • Diminui a mortalidade infantil e a desnutrição

Como preparar os seios para a amamentação

Os seios – do ponto de vista externo – são divididos em duas partes importantes: a região mamilo areolar e a mama propriamente dita. Existem quatro formatos de mamilos, que são: protuso, semiprotuso, invertido, pseudoinvertido. Os cuidados específicos com os seios dependem do formato do mamilo de cada mulher.

Para todas as mamas e mamilos, seis dicas são essenciais para a preparação para o aleitamento materno, tanto para as mães que darão o peito, como para aquelas que, na impossibilidade de ofertar a mama, retirará o leite através do processo de extração.  

  1. Usar sempre sutiãs para quando os seios estiverem maiores oferecer sustentação e conforto a mãe;
  2. Enxugar bem os mamilos após o banho, principalmente os maus formados (a exemplo dos invertidos), tomando cuidados ao friccioná-los. Mamilos úmidos podem se tornar área para o desenvolvimento de bactérias;
  3. Evitar uso de cremes, óleos e pomadas nos mamilos, durante a gravidez, pois existem substâncias que conduzem a descamação da pele, na região areolar;
  4. Não use buchas de higiene nos mamilos, pois tiram a camada hidrolipídica que se forma para protegê-lo contra o ressecamento;
  5. É contra indicada a expressão mamilar para retirada de colostro antes do parto.
  6. Todas as vezes que acabar de amamentar, passe um pouco do leite materno na aréola e mamilo e espere secar antes de subir o sutiã, para prevenir, proteger e tratar rachaduras, fissuras e proliferação de fungos;
  7. Ler, se organizar (no retorno ao trabalho e nas tarefas diárias) e se preparar psicologicamente para amamentar, é um dos fatores fundamentais para manter um aleitamento materno saudável e correto;
  8. Aprender a posição correta, a pega correta, como se beneficiar de assesórios de amamentação, faz parte do aprendizado que só um profissional capacitado pode lhe ajudar e ensinar;
  9. Amamentar é um ato natural, mas deve ser aprendido tanto pela mãe quanto pelo bebê.

Fonte: Enfermagem obstétrica e ginecológica: guia para a prática assistencial/Barros, Sônia Maria Oliveira de Barros. – 2. Ed. – São Paulo: Roca, 2009.

Como tudo acontece

Durante toda a gestação a mama se prepara para a produção de leite materno, sofrendo diversas modificações em sua estrutura pela ação de vários hormônios. No início da gestação, o tecido mamário cresce devido à proliferação dos alvéolos e vasos sanguíneos – a partir da 20ª semana -, e começa a produção e secreção do leite (ou colostro nos primeiros momentos) mantendo o crescimento e dilatação da mama (agora pelo acúmulo do leite) até o final da gestação. Esse processo é continuo até o aleitamento, no pós-parto.

Na produção do leite materno, três órgãos são fundamentais: a placenta, a hipófise e a mama. O processo se inicia com a liberação do estrógeno, pela placenta, que atua na hipófise que, por sua vez, libera a prolactina, responsável pela produção do leite materno, através do estímulo dos alvéolos.

Uma das etapas mais importantes neste ciclo – que acontece no final deste processo -, é a sucção do bebê, na mama, que estimula a liberação tanto da ocitocina – que provoca a ejeção do leite -, como de mais prolactina.

Mana Interna

Na imagem acima, encontra-se demonstrado todo o processo, onde cada lóbulo mamário é formado por um conjunto de alvéolos – entre 10 a 100 -, local da produção do leite. Após o estimulo hormonal e da sucção do bebê, o leite passa para os ductos lactíferos (canais largos e estreitos) que terminam no mamilo, onde acontece a sua saída. Entre as mamadas, esses canais se dilatam – na região areolar -, acumulando o leite novamente produzido.

O leite materno é um líquido complexo e rico, que contém todas as substâncias necessárias ao bebê, tais como; água, minerais, vitaminas, anticorpos, lipídios, proteínas, carboidratos, açúcar, lactose, fatores de crescimento. Por isso se constitui em um elemento completo e perfeito, exercendo papéis de proteção, esterilização, nutrição e imunização.

O que difere de todos os outros leites de animais é a qualidade e a quantidade desses elementos essenciais e suas variações em cada período. Diante disso, não é necessário ofertar nenhum outro tipo de líquido ao bebê, nos primeiros seis meses de vida. Após isso, o bebê já necessita de outros alimentos para continuar seu crescimento, e essa introdução alimentar acontece aos poucos e por etapas (ver o guia do bebê).

O leite materno passa por modificações e fases na sua produção, naturalmente, sem interferências externas, diante da necessidade do bebê. É uma adaptação natural do corpo da mulher ao bebê.

Existe uma diferença sensível entre o leite do início da mamada e a do final, que tem aspectos nutricionais diferentes. Enquanto no início ele é mais aquoso e com menos elementos nutricionais, o do final da mamada é mais gorduroso e tem mais propriedades nutricionais. Tudo isso porque a natureza é sábia e o leite é constituído para se adequar as necessidades do bebê.

Abaixo, as fases e os tipos de leite.

Leite Período Aspectos Nutricionais Aspecto/Coloração Quantidade
Colostro Produzido antes do parto, em pouca quantidade. Após o parto, até sétimo dia Água, lipídios, lactose, proteínas, vitaminas lipossolúveis, beta caroteno, anticorpos vivos e lactoferrina Coloração amarelada e transparente, aspecto fino e espesso No início, de 02 a 20 ml/dia, em cada mamada, com total de 50 a 100 ml/dia
Leite de transição Produzido entre o 8º e o 14º dia Todos os nutrientes acima Coloração amarelada Volume médio de 500 ml
Leite maduro Produzido a partir do 15º dia Todos os nutrientes acima. Contém maior quantidade de gorduras benéficas Sabor ligeiramente adocicado, pouco odor e de coloração branco opaco. A cor e o sabor podem alterar diante da dieta materna ou por uso de medicamento Média de 700 a 900 ml/dia, durante os primeiros seis meses após o parto. A partir do segundo semestre, a quantidade média, diária, produzida é de 600 ml

Posições para o aleitamento materno

O sucesso do aleitamento materno está diretamente relacionado ao adequado conhecimento quanto à posição da mãe e do bebê e à pega da região mamilo areolar. (MS,2006, DF- Brasília).

Existem várias posições apropriadas – como mostradas nas figuras para amamentar -, porém a mais utilizada é a sentada com a criança nos braços, e pernas elevadas ao nível do conforto de cada mãe. Mas, independente da escolha da mulher pela posição de seu conforto, a pega do bebê é única e deve ser seguida, para que a amamentação aconteça de forma adequada, evitando problemas nos mamilos, como fissuras, rachaduras, e outros. A amamentação correta proporciona a retirada do leite, em todas as fases necessárias para a criança, permitindo o seu desenvolvimento sadio.  

A pega perfeita pode ser realizada em qualquer posição, e acontece quando a criança, ao abrir a boca, consegue pegar quase toda, ou toda a região mamilo areolar. Desse modo, é possível garantir a retirada adequada de leite do peito.

Pega Perfeita

Obs.: Nunca deve ocorrer qualquer barulho durante a sucção do bebê; se acontecer demonstra que ele não está sugando da maneira certa. A sucção do bebê, na mama, é o gatilho para a produção de leite. Quanto mais ele mama, mais a mãe produz leite.

O bebê mama de 8 a 12 vezes nos primeiros dias. Depois disso, as mamadas ficam mais espaçadas, assim como o tempo do seu sono.

A dica é: A mulher deve beber bastante liquido durante o aleitamento materno, e, se quiser, também pode se alimentar, desde que não interfira na posição da criança.

Como extrair e armazenar o leite materno

Extração

Caso a mãe precise ofertar seu leite ao bebê, de outra forma, ou no período do desmame, o leite materno pode ser extraído e guardado. Porém, para a sua retirada ou ordenha, armazenamento, e utilização do leite materno, precisa-se de alguns cuidados, para evitar contaminação e estragá-lo.

Abaixo, o passo a passo para a ordenha. Seguindo-o, você terá bons resultados:

  • Três tipos de extração:
  • Manual: forma mais utilizada, quando se domina a técnica torna-se fácil e eficaz. (Ver abaixo)
  • Com bomba manual - de acordo com as instruções do manual
  • Com bomba elétrica – de acordo com as instruções do manual

  • Higiene para extração do leite:
  1. Utilize qualquer pote de vidro com tampa plástica, ou mamadeira comum ou de vidro com tampa, sem o bico;
  2. Lave-o com água e detergente, e depois, esterilize-o com a tampa, em água fervente, por 15 minutos, ou use esterilizadores, caso possua. (Leia as instruções antes de usar o esterilizador);
  3. Depois de fervido, coloque o vaso de cabeça para baixo, em uma toalha limpa e seca, em ambiente limpo, e aguarde esfriar (nunca use quente). Este procedimento evitará contaminação ou resto de água dentro dele;

Obs.: Potes e sacos plásticos especiais para armazenagem do leite materno, já são encontrados em lojas especializadas.

  • Extração manual:
Retirada de Leite Manual
  • O primeiro cuidado é com a mama, que deve estar limpa, sem suor ou abafada por roupas. Utilizar uma máscara de higiene é importante para evitar contaminação da respiração (principalmente mães gripadas e com processo alérgico das vias respiratórias);
  • Na higiene da mama, não precisa passar produtos como álcool, ou outro qualquer. Um simples banho resolve. E antes do procedimento, lave bem as mãos;
  • Procure um ambiente tranquilo e estar descansada. Colocar uma foto do bebê ou ele ficar próximo ajuda, e muito, pois o sistema hormonal da mulher da produção do leite ocorre através do vínculo criado com o bebê;
  • Comece com uma massagem leve na mama, com movimentos circulares, estimulando os mamilos, girando-os, para o leite fluir internamente;
  • Pegue a mama em formato de “C”, e faça uma pressão para frente e para traz, com o dedo polegar na parte de cima da aréola, e na parte de baixo, com o indicador (formato de pinça) até o jato sair. Continue fazendo esses movimentos constantes, ejetando o leite dentro do recipiente próprio para o armazenamento. Este procedimento deve continuar até  atingir um volume, a dois dedos da borda do recipiente (pois o líquido dilata depois de congelado), ou até não sair mais leite das mamas;
  • Alterne as mamas a cada 5 minutos, em cada extração. Podem ocorrer variações de quantidade de leite, por extração e por horário do dia, como pela manhã, que se extrai um volume maior.
  • Após a extração do leite, tampe o recipiente, e em seguida dê o destino já programado (congelamento ou outro);
  • Ao final de cada extração, passe um pouco do leite materno no mamilo e aréola, igual como se faz na amamentação. Coloque o sutiã e retorne às suas atividades normais.

Armazenamento

  • Conservação do leite
  • Para congelar, coloque na parte de cima do congelador da geladeira (onde fica o lugar mais frio) ou em freezer. Nunca coloque nas portas, pois podem não atingir a temperatura ideal, devido à abertura constante;
  • O tempo máximo de armazenamento é de 15 dias, em temperaturas abaixo de 10ºC no freezer ou congelador;
  • O leite ordenhado só deve ficar até, no máximo, 2h em temperatura ambiente.
  • Na geladeira, ele pode ficar até, no máximo, 12h depois de ordenhado, longe de alimentos crus ou com cheiro. Se estiver em processo de descongelamento, o leite pode ficar até 24h, na geladeira. Por isso, antes de realizar a extração do leite, se programe para a necessidade daquela extração;
  • Anotar em uma etiqueta o dia, a data e a hora da ordenha, e colocar no recipiente com o leite retirado;
  • O ideal é congelar os potes de leite na quantidade que o bebê toma em cada mamada, ou duas vezes essa quantidade, de forma que não falte ou sobre leite;
  • Nunca recongele o leite depois de descongelado.

  • Como descongelar e usar o leite armazenado
  • Para descongelar é só colocar o recipiente congelado na geladeira, um dia antes de utilizá-lo, ou até ele descongelar, e em seguida, coloque o recipiente do leite em uma vasilha maior, com água morna, para ele ficar em uma temperatura agradável. Agite bem antes de ofertar a criança;
  • Não usar microondas;
  • Nunca esquentar o leite diretamente em panelas, banho-maria ou fervê-lo ( esse processos são de altas temperaturas e não podem ser usados), para que, ele não perca os seus componentes nutricionais.
  • Para transportá-lo, usar recipiente térmico, envolvido por gelo, para que se mantenha conservado.
  • Rodape

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