Gravidez na adolescência: Cuidados especiais

Gravidez na adolescência: Cuidados especiais

Gravidez na adolecênciaA adolescência por si só é uma fase marcada por mudanças importantes tanto no físico quanto no psicológico das garotas. Somando-se a este momento, porventura, uma gestação, cria-se um cenário singular na vida de toda adolescente, que necessitará de apoio e entendimento maior sobre as particularidades desta gravidez. Quais as suas diferenças e riscos, quando comparada a uma gestação na fase adulta? Este é o assunto que abordaremos agora.

No Brasil, nas últimas décadas, tem-se observado um aumento significativo na fecundidade de adolescentes entre 15 e 19 anos. Estima-se que, em 1998, foram feitos 700 mil partos entre adolescentes, no Sistema Único de Saúde (SUS). Também no Brasil, o número de recém-nascidos de mães adolescentes corresponde a 26,75% dos nascimentos, mostrando a relevância do tema para a saúde pública do país.

Entre as causas discutidas para este aumento na estatística estão: a iniciação e maturação sexual cada vez mais precoce; pouco conhecimento de métodos contraceptivos; mudanças no estilo de vida e urbanização, sendo que a gravidez na adolescência varia conforme as regiões, com taxas maiores no Norte e Nordeste do país, e grupos sociais, sendo mais frequente entre a população mais pobre.

Determinadas consequências podem aparecer em casos de gravidez na adolescência. Essas consequências diferenciam a gestação em adolescentes da gestação na idade considerada ideal (dos 20 aos 35 anos), quando, acredita-se, o corpo da mulher está mais preparado e em melhores condições para gerar, com sucesso, uma nova vida. Entre as consequências, destacam-se:

  1. Controle pré-natal deficiente: normalmente, os problemas enfrentados pela gestante adolescente fazem com que procure a assistência pré-natal mais tardiamente e seja menos assídua. Nesse momento, a adolescente, que geralmente está enfrentando um momento delicado, que envolve, por exemplo, uma gestação não desejada, a não aceitação da família e/ou do parceiro e problemas escolares, pode resistir a buscar o serviço de saúde, ou então faltar às consultas, eventualmente. Um pré-natal deficiente pode gerar problemas futuros para a saúde da mãe e do bebê, pois não terão acompanhamento adequado do desenvolvimento gestacional, por profissionais de saúde;
  2. Paridade: é comum que haja repetição da gravidez na adolescência, havendo sobrecarga física e emocional de uma pessoa que ainda está em fase de desenvolvimento. A adolescente ainda não tem o corpo inteiramente pronto para uma gestação, pois é uma fase de muitas mudanças em que o peso e a altura ainda estão se estabelecendo, seus órgãos reprodutores podem ainda estar amadurecendo e se preparando para uma gestação futura. Além disso, o psicológico da adolescente também é marcado por uma fase de estruturação, caracterizada pela saída do universo infantil para a entrada do universo adulto. Sem orientação adequada sobre métodos contraceptivos para a adolescente, é possível que haja repetição da gravidez, nesta fase;
  3. Fatores socioeconômicos e culturais desequilibrados: os resultados para a mãe e para o bebê são melhores quando são identificados e controlados fatores como fumo, consumo de bebidas alcóolicas, escolaridade, apoio familiar e do parceiro. Quando qualquer um destes fatores está em desequilíbrio, pode afetar negativamente o psicológico e até mesmo a saúde da gestante adolescente, fazendo com que ela tenha uma gravidez mais estressante e prejudicial para ela e para o bebê. Pode também ocorrer uma menor aceitação às consultas médicas e cuidados comuns na gestação para a mulher.

Entre as principais consequências gestacionais que podem ser identificadas durante a gravidez na adolescência, merecem destaque:

  1. Hipertensão Gestacional: pode ocorrer como resultado de um pré-natal deficiente;
  2. Anemia: pode ocorrer quando a gestação for associada à pobreza, desnutrição e falta de cuidados. Adolescentes com mais de uma gravidez podem ter maior risco de desenvolver anemia, ressaltando a necessidade de um controle pré-natal mais adequado;
  3. Mortalidade materna: Observa-se que a mortalidade materna é maior quando a gravidez acontece nos extremos da vida reprodutiva, ou seja, mulheres com menos de 20 anos (o caso das adolescentes), e após os 35 anos de idade;
  4. Risco de infecções: Maior risco de infecções urinárias ou não tratamento adequado de infecções ginecológicas que podem aparecer durante o período gestacional.

O enfoque biopsicossocial (um olhar de toda a vida) da gestante adolescente é o mais importante aspecto a ser considerado nos atendimentos, por isso recomenda-se que a assistência pré-natal seja feita por equipe multidisciplinar que, além de oferecer os cuidados rotineiros, seja capaz de criar vínculos entre a jovem e o serviço de saúde, ofereça apoio psicológico e orientações acerca desse momento tão particular e especial.

O parto deve estar de acordo com as normas obstétricas, humanizado no atendimento, facilitando o acesso do parceiro e/ou familiares próximos para garantir a confiança, o conforto e a segurança da gestante. No puerpério (fase pós-parto), a mãe deve ser orientada e estimulada quanto ao aleitamento natural e a necessidade de retorno após seis a oito semanas, para controle e instruções sobre uma adequada concepção futura.

Sendo assim, tem-se que as adolescentes, de modo geral, evoluem adequadamente durante a gestação e o parto, quando comparadas às gestantes com mais idade, desde que seja feito um cuidadoso acompanhamento, atento para as necessidades da gestante de forma individualizada. Por fim, vale ressaltar a importância de serviços especiais para atendimento da adolescente grávida, da divulgação efetiva à comunidade sobre onde está e o que oferece o serviço, da existência de uma assistência multidisciplinar e motivadora, do estímulo à participação familiar na gestação, do respeito ao segredo médico-paciente e da educação sexual de qualidade para jovens e adolescentes.

Larissa Fonseca e Luisa Danielle Souza, estudantes de medicina da Universidade Federal da Bahia – UFBA e integrantes da Liga Acadêmica de Ginecologia e Obstetrícia da Bahia – LAGOB.

Referências:

  • FEBRASGO, Manual de Orientação – Saúde da Adolescente. 2007
  • Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, Manual de Atenção à Saúde do Adolescente. 2006

  • Rodape

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