Enfermagem Obstétrica

No atual contexto político do país, faz-se necessário resgatar o importante e tradicional papel da enfermeira no parto, profissional capacitada para assegurar à mulher um parto saudável e livre de iatrogenias. A enfermeira assiste à mulher desde o pré-natal, iniciando uma conexão que deve seguir até o puerpério. Ela deve oferecer apoio físico e empático, realizando abordagem não farmacológica para alívio da dor, colocando-se à disposição da gestante e do recém-nascido, reconhecendo quando suas intervenções são necessárias para assegurar o bem estar de ambos.

As enfermeiras obstetras são competentes para acompanhar o processo fisiológico do nascimento, contribuindo para sua evolução natural e encaminhando as demandas especializadas. Facilitam a participação da mulher neste processo, com base nos princípios da humanização, respeito ao ser humano, empatia, intersubjetividade, envolvimento e vínculo, oferecendo à mulher e à família a possibilidade de escolha de acordo com suas crenças e valores (MERIGHI; GUALDA, 2009).

O MS reconhece a assistência humanizada e a importância dessa profissional para o SUS. Em 1998, incluiu na tabela do Sistema de Informações Hospitalares do SUS o procedimento parto normal sem distócia realizado por este profissional. Também propôs em 1999 a criação dos Centros de Parto Normal (CPN) para partos de baixo risco fora das instituições de saúde, coordenados por enfermeiras obstetras.

Estudos apontam que países que mantiveram a atenção ao parto, valorizando a atuação de enfermeiras, a exemplo de Inglaterra, Japão e Alemanha, conseguiram manter baixos índices de morbimortalidade materna e neonatal e de intervenções, como cesáreas e episiotomias.

Para modificar o cenário atual, é necessário resgatar o respeito à mulher e seus familiares em processo parturitivo. A representação dessa vivência depende de fatores intrínsecos à mulher e aos relacionados ao sistema de saúde, perpassando pela figura da enfermeira obstétrica. A atenção adequada representa um passo indispensável para garantir que a mulher possa exercer a maternidade com segurança e bem estar, sendo importante que a equipe de saúde esteja preparada para acolher a grávida, seu companheiro e família.

Rita CalfaRita Calfa
Enfermeira Obstetra
Presidente da Associação de Obstetrizes, Enfermeiras Obstetras e Neonatais, secção Bahia | Diretora Geral da Maternidade Tsylla Balbino | Coordenadora da Pós em Enfermagem Obstétrica da EBMSP

O artigo foi publicado no jornal Info Coren, página 6. Janeiro 2014, Ano 1 – Nº 01


  • Rodape

    Copyright © 2013 Gestass Assessoria. Todos os direitos reservados.
    Tel:(73) 99143-8307