Diabetes Gestacional

Diabetes Gestacional

Diabetes GestacionalConsiderada uma das fases mais importante da vida de uma mulher, a gestação é vivida de forma intensa e plena. Porém, durante esse período, algumas enfermidades podem se manifestar tirando o sossego de algumas futuras mamães.

No texto de hoje abordaremos um pouco sobre a diabetes gestacional, uma doença que acomete algumas mulheres nesse período.

Mas, o que é o diabetes gestacional? A insulina – que é um hormônio produzido pelo pâncreas e é responsável pela captação e utilização da glicose pelo corpo – durante a gravidez, pode ter sua ação diminuída devido aos hormônios da gestação, principalmente o hormônio lactogênico placentário (hPL), que tem seu nível aumentado a medida que a gestação progride. O hPL exerce forte antagonismo (oposição) a ação da insulina. Assim como o estrogênio, a progesterona, o cortisol e a prolactina, que também são produzidos pela gestante em quantidades ascendentes e apresentam alta ação hiperglicemiante.

Quando há uma descompensação desse ciclo hormonal natural da gestação por conta de algum fator de risco da gestante, há um aumento em excesso da glicose no sangue, caracterizando o diabetes. Mas, no caso da gestante já ser portadora de diabetes antes de engravidar, essa diabetes não é considerada do tipo gestacional.

Dentre os fatores de risco para desenvolver a diabetes gestacional são incluídos:

  • Idade acima de 25 anos;
  • Histórico familiar de diabetes;
  • Peso acima do ideal, antes de engravidar;
  • Ganho de peso excessivo na gravidez;
  • Hipertensão arterial na gestação;
  • Apresentar líquido amniótico em excesso;
  • Passado de aborto espontâneo de causa indeterminada;

De acordo com a Diretriz da Febrasgo (Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia) 2010, o diagnóstico do diabetes gestacional se dá a partir de uma glicemia de jejum maior ou igual a 126mg/dl. Se a gestante estiver com a glicemia maior que 85mg/dl, ou se ela estiver com menos de 85mg/dl e tiver fatores de risco associados, ela entrará na classe de rastreamento positivo, devendo ser encaminhada para realizar o TTGO, ou teste de tolerância a glicose oral, na 24ª semana de gestação. Os pontos de corte do TTGO de 75mg e para os valores glicêmicos são: 95 mg/dl, 180 mg/dl e 155 mg/dl, respectivamente para jejum, uma e duas horas da sobrecarga de glicose.

Apesar de na sua maioria o Diabetes gestacional não promover sintomas para a gestante, a gestante poderá cursar com cansaço ou fadiga, visão turva, infecções frequentes, aumento da sede, aumento da micção, náusea e vômitos, além de perda de peso apesar de aumento de apetite. Os sintomas, quando ocorrem, são brandos e não trazem riscos maiores para a gestante desde que estejam controlados por medicamentos ou mudanças nos hábitos de vida.

Já as complicações mais sérias do diabetes gestacional são o abortamento, a morte fetal tardia, o aumento no volume do líquido amniótico, anomalias congênitas (a exemplo de defeitos cardíacos), macrossomia fetal (peso acima de 4 quilos), sofrimento fetal, prematuridade, hipoglicemia e icterícia neonatal

Condutas

Após o diagnóstico do diabetes gestacional, a gestante deverá adotar algumas condutas para minimizar a possibilidade de complicações fetais e gestacionais, sendo elas:

  • As consultas do pré-natal deverão acontecer de duas em duas semanas, para melhor acompanhamento do quadro;
  • O exame de ultrassom deverá ser feito periodicamente para verificar macrossomia;
  • É essencial uma mudança no estilo de vida da gestante, incluindo exercícios físicos e reduzindo ingestão de carboidratos;
  • Realizar uma checagem da glicose de jejum e da glicose pós-prandial ao menos quatro vezes ao dia. Se confirmada a normalização da glicemia diante das mudanças no estilo de vida, a checagem poderá ser feita apenas duas vezes ao dia;
  • No caso da glicemia não se normalizar, haverá indicação para parto eletivo com 38-39 semanas.

Considerando todos os cuidados, o que é mesmo mais importante é a consciência da gestante quanto ao seu quadro diante do diabetes gestacional, e da adesão às condutas indicadas para que se previnam complicações futuras. A mudança no estilo de vida reflete diretamente no autocuidado, que proporcionará benefícios à sua saúde.

Gabriela Romeo e Marina Ramalho, estudantes de medicina da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública e integrantes da Liga Acadêmica de Ginecologia e Obstetrícia da Bahia – LAGOB.

Referências: Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Área Técnica de Saúde da Mulher. Pré-natal e puerpério: atenção qualificada e humanizada – manual técnico/ Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas – Brasília, Ministério da Saúde, 2005; Tratado de Medicina Interna – Cecil, 23ª edição; Diretriz Diabetes Gestacional – Febrasgo 2010.


  • Rodape

    Copyright © 2013 Gestass Assessoria. Todos os direitos reservados.
    Tel:(73) 99143-8307