Amamentação e o câncer de mama

Amamentação e o câncer de mama

Amamentação e o câncer de mama
O aleitamento materno é visto, hoje, como a forma mais eficaz e completa de alcançar o crescimento e desenvolvimento adequados de uma criança até o sexto mês de vida, sendo de importância fundamental na promoção da saúde do bebê e na prevenção de doenças da primeira infância. O incentivo ao aleitamento materno se tornou, então, uma das mais importantes ações na diminuição da mortalidade infantil, especialmente nos países pobres ou em desenvolvimento, como o Brasil, que, por volta dos anos 1970, iniciou um resgate à cultura da amamentação, instituindo em suas políticas de saúde pública programas de incentivo ao aleitamento.

Além dos inúmeros benefícios para o bebê, o meio científico passou a reconhecer que a amamentação é, também, de grande importância para a saúde física e psicológica da mulher. Sabe-se que a amamentação proporciona o retorno ao peso pré-gestacional mais precocemente, o alargamento do período intergestacional e o menor sangramento uterino pós-parto (consequentemente, menos anemia). Mais recentemente, estudos também passaram a comprovar a relação positiva existente entre o ato de amamentar e a prevenção de algumas doenças como o câncer de mama, certos cânceres ovarianos e fraturas ósseas por osteoporose.

Segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), cada ano completo de amamentação diminui de 3 a 4% o risco de a mulher desenvolver o câncer de mama, de modo que, mesmo aquelas que o desenvolvem, se amamentaram por mais de um ano, possuem mais chances de desenvolverem um câncer menos agressivo, com melhor prognóstico. O efeito protetor contra o câncer de mama está associado à substituição de tecido glandular por gordura nas mamas, decorrente da amamentação, e a intensa esfoliação do tecido mamário que proporciona a eliminação constante de células que tenham sofrido algum dano e sejam potencialmente cancerígenas.

Os benefícios da amamentação, na prevenção do câncer de mama, não ficam restritos apenas às mães; estudos atuais sugerem que bebês que foram amamentados durante a primeira infância, parecem ter um fator protetor contra o desenvolvimento do câncer de mama, na idade adulta.

E todos esses benefícios tornam-se ainda mais relevantes ao analisarmos os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), onde o câncer de mama é o tipo que mais acomete as mulheres em todo o mundo, sendo 1,38 milhões de novos casos e 458 mil mortes pela doença, por ano. Acrescenta-se ainda que 1 a 2% desses casos ocorram durante a gravidez, o que gera insegurança e muitas dúvidas nas mulheres quanto à possibilidade de uma gestação e a amamentação do pequeno recém-nascido na vigência dessa neoplasia.

É importante salientar que o Câncer de mama, na maioria das vezes, não inviabiliza uma gestação e, ao contrário do que possam pensar, o câncer não passará de mãe para filho. O grande problema, nesse caso, é o tratamento. Isso porque, é no primeiro trimestre de gestação que acontece o desenvolvimento dos principais órgãos do feto e, se a quimioterapia ou radioterapia forem iniciadas neste período, a gestação é prejudicada e, na maioria das vezes, inviabilizada. Já no segundo e, principalmente, terceiro trimestre de gestação, a quimioterapia não interfere no desenvolvimento do feto, transcorrendo de maneira normal. Porém, o mais aconselhável seria evitar a gravidez durante o período do tratamento, não utilizar a radioterapia durante qualquer trimestre da gestação e, se diagnosticado câncer de mama (em estágio inicial) no primeiro trimestre, procurar adiar a quimioterapia até o segundo.

Quanto a possibilidade de amamentação, é possível para uma mãe com diagnóstico de câncer de mama, amamentar seu filho?

O câncer de mama, por si só, não é uma contraindicação para a amamentação. O que inviabiliza o processo é o tratamento quimioterápico ou radioterápico que, na maioria das vezes, é usado no combate a esses tumores. Durante o aleitamento, a mãe deve ter cuidado com as medicações usadas, porque muitos remédios são eliminados também no leite e acabam sendo passados para a criança, podendo causar danos ao organismo do bebê. É o caso das medicações antineoplásicas, usadas no combate a essa enfermidade. Mães em quimioterapia/radioterapia eliminam substâncias radioativas no leite materno, tanto durante quanto por um período após essa terapia. Por esse motivo, essas mulheres devem ser orientadas a não amamentar. Em alguns casos, é possível o reinício da amamentação, passado um determinado período após a tomada dessas medicações, mas, isso deve ser conversado com o médico assistente que orientará como proceder em cada caso.

Para as mamães que foram submetidas à mastectomia bilateral, como forma de tratamento cirúrgico para o câncer, infelizmente a amamentação torna-se inviável, visto que nessa cirurgia as glândulas mamárias (produtoras de leite) também são retiradas. O desejo de amamentar deve ser conversado previamente com o médico que irá tratá-la. Nas mastectomias unilaterais, a mama sadia pode produzir leite, e, na ausência da utilização de quimioterápicos / radioterápicos, a amamentação fica permitida e bem vinda ao bebê.

Na impossibilidade do aleitamento materno, existem alternativas para a nutrição infantil que podem ser utilizadas, sem prejuízos para o bebê. Essas alternativas devem ser orientadas pelo médico pediatra que acompanha o bebê.

Camila Lago, Priscila Uzêda (estudantes de medicina da Faculdade de Tecnologia e Ciências – FTC) e Taissa Praseres (estudante de medicina da Universidade Federal da Bahia – UFBA), integrantes da Liga Acadêmica de Ginecologia e Obstetrícia da Bahia – LAGOB.

Referências:

  • Rea, M. F. Os benefícios da amamentação para a saúde da mulher. 0021-7557/04/80-05-Supl/S142. Jornal de Pediatria Copyright © 2004 by Sociedade Brasileira de Pediatria.
  • Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Manual normativo para profissionais de saúde de maternidades – referência para mulheres que não podem amamentar.Brasília, maio de 2004.
  • Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Saúde da criança: Nutrição Infantil, Aleitamento Materno e Alimentação Complementar.Caderno de Atenção Básica, nº 23. Brasília (DF), 2009.
  • Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Amamentação e uso de medicamentos e outras substâncias. Série A. Normas e Manuais Técnicos. Brasília (DF), 2010.
  • Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Promovendo o Aleitamento Materno. 2ª edição, revisada. Brasília (DF), 2007.

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